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Encontro reuniu mais de mil participantes de maneira híbrida para discutir estratégias que minimizem os impactos financeiros em um ano que será marcado pela Copa do Mundo, Eleições e 10 feriados nacionais, além das questões climáticas
O 3º Seminário Aberc "Novos Rumos da Alimentação Coletiva: Inovação e Estratégias", realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Refeição Coletiva (Aberc) nesta quinta-feira, 13, na AMCHAM Business Center, em São Paulo, apresentou os desafios para 2026 e debateu as estratégias necessárias para o avanço do setor, com transmissão simultânea realizada pelo Canal Restaurante.
O evento reuniu executivos e especialistas de um mercado que movimenta mais de R$ 21 bilhões anualmente, emprega 350 mil profissionais e garante a alimentação de mais de 37 milhões de pessoas todos os dias.
O vice-presidente da Aberc, Rogério da Costa Vieira, destacou que os temas escolhidos são complexos. "Os próximos dois anos terão uma série de acontecimentos que vão impactar a economia, mas, apesar dos empecilhos, há também a vontade de abrir a mente e colocar um pouco de inconformismo para todos. A Associação está aqui para ajudar a mitigar os riscos".
Já Daniel Mendez, presidente da Aberc, trouxe a importância de debater a eficiência do setor, garantindo que continue a valorizar o que há de mais importante: o fator humano. "As novas tecnologias e equipamentos somam ao setor e, como entidade, a associação deve reforçar que as práticas antigas devem ser revisadas e quebradas, para que o mercado abrace o novo cenário e consiga atingir as novas gerações. Não adianta apostar em velhas fórmulas".
Economia, tributação e o cenário futuro
Além das questões internas, o evento dedicou atenção especial aos desafios macroeconômicos e regulatórios.
Antônio Marques da Cruz, vice-presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Compras (ABPC), apresentou uma análise sobre os impactos macroeconômicos previstos para 2026, que pretende ser desafiador: fenômenos climáticos (la niña e el niño) que influenciarão na oferta e procura de insumos; impacto e recuperação fiscal; efeito Trump; Copa do Mundo; eleições; e feriados foram mencionados como alguns dos pontos que ditarão o próximo ano. O executivo sinaliza para que as empresas se preparem o quanto antes, prevendo ações que minimizem os efeitos externos em seus planejamentos estratégicos.
Os impactos da reforma tributária também foram detalhadamente abordados. Sob a mediação de Marcos Tavares, consultor jurídico da Aberc, os advogados Edson Kondo e Paulo Ricardo de Souza Cardoso, ambos do Hondatar Advogados, e Eduardo Fleury, fundador do FCR Law, explicaram como as empresas de refeições coletivas precisarão se adaptar às novas regras de cobrança de impostos e como o novo modelo pode afetar custos, precificação e a competitividade do setor. O principal alerta foi para a questão do quanto o fluxo de caixa das empresas pode ser afetado. O painel reforçou que as mudanças acontecerão gradualmente até 2033, implicando em um longo período de transição entre impostos e taxas provenientes de dois sistemas tributários que coexistirão. Os especialistas aconselham que as companhias criem comitês multidisciplinares, com representantes de diferentes áreas das organizações, para analisar tais mudanças e criar um plano de ação a curto, médio e longo prazos.
Tecnologia e eficiência operacional
A tecnologia foi amplamente discutida, sendo apresentada como o ingrediente que garante a eficiência e a qualidade nos bastidores das cozinhas industriais. Os sistemas de gestão já integram o controle de insumos e o monitoramento da produção em tempo real.
Para contextualizar essa revolução, o painel sobre tecnologia contou com a participação de Gustavo Galegale, co-fundador e CTO da Hytag, que detalhou como a automação, a IoT (Internet das Coisas) e a Inteligência Artificial estão impactando processos e pessoas dentro do segmento, enfatizando a importância deste tema para as empresas.
Atração de talentos e a nova imagem da cozinha
Um dos desafios cruciais debatidos no Seminário foi a falta de profissionais qualificados, que se manifesta na alta rotatividade e na dificuldade de formação de novos trabalhadores. Este tema foi abordado em um painel conduzido por Fernanda Sorelli, com a participação de Josiani Faleiros, psicóloga gestora no Grupo GPS, e Fernando Blower, presidente da SindRio e diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).
Foi destacado que as novas gerações tendem a evitar funções mais exaustivas, como as que demandam longas horas na chapa ou diante do fogão, tornando o recrutamento mais desafiador. Nesse contexto, a tecnologia surge como uma aliada fundamental, não para substituir o trabalho humano, mas para torná-lo mais eficiente, seguro e atrativo. E cabe às lideranças se adaptarem à nova realidade.
O desafio do setor, portanto, é duplo: capacitar os profissionais para operar as novas tecnologias e reposicionar a imagem das cozinhas industriais como ambientes que oferecem desenvolvimento profissional e qualidade de vida no trabalho.
A hora e a vez das feiras e festivais gastronômicos
A CEO da Galunion, Simone Galante, também contribuiu com a apresentação de uma pesquisa sobre as macrotendências para o foodservice, oferecendo análises sobre o comportamento do consumidor e estratégias de adaptação às transformações do mercado. O estudo "Alimentação hoje: a visão do consumidor", realizado pela Galunion, mostra que o consumidor brasileiro está redesenhando os hábitos de alimentação fora de casa.
O levantamento, realizado em agosto de 2025 com mais de mil pessoas, revela os locais de consumo fora do lar mais procurados: 52% pretendem consumir refeições, alimentos ou bebidas em feirinhas e festivais gastronômicos nos próximos seis meses; seguido por locais como os Food Halls (46%); supermercados, empórios e mercados (39%); lojas de conveniência (29%); e espaços culturais (25%).
Sustentabilidade e alinhamento global (ESG e COP-30)
O alinhamento do setor com os grandes objetivos globais foi tema no painel "Abordagem do ESG aplicada na Alimentação Coletiva". O especialista Guilherme Cerqueira Martins e Souza demonstrou como as práticas sustentáveis, sociais e de governança estão sendo incorporadas ao mercado. O foco inclui a redução de desperdício, o uso responsável de recursos, a inclusão e a transparência na gestão das empresas.
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FONTE ABERC